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Janeiro Branco: liderança e saúde mental em tempos de crise silenciosa

Iniciamos o ano com uma campanha essencial: o janeiro Branco, dedicado à conscientização sobre saúde mental e emocional. Mais do que um tema de campanha, a saúde mental se tornou uma urgência corporativa.


É neste contexto que precisamos falar, com coragem e responsabilidade, sobre o papel da liderança. Afinal, como podemos promover bem-estar nas equipes, se quem lidera está emocionalmente no limite? Como sustentar culturas saudáveis sem líderes que cultivem, em si mesmos, a capacidade de escuta, equilíbrio e verdade?


O janeiro Branco nos convida a olhar com mais profundidade para um dos fatores mais negligenciados e mais estratégicos do mundo corporativo: a saúde emocional de quem lidera.


Liderança que adoece - liderança que cura: por que o autoconhecimento é a nova competência estratégica


Nunca se falou tanto em saúde mental, bem-estar e ESG humano nas organizações. Ainda assim, nunca adoecemos tanto no trabalho. O paradoxo é evidente: enquanto discursos avançam, a experiência real de quem lidera e de quem é liderado revela exaustão, silenciamento emocional e culturas que operam no limite.


Os números não deixam margem para dúvida. No Brasil, 86% dos profissionais relatam sintomas de burnout, segundo levantamento publicado pelo Valor Econômico. Mais grave ainda: 52% dos líderes e 59% dos liderados recorrem a medicamentos psiquiátricos para lidar com estresse, ansiedade e esgotamento, de acordo com pesquisa divulgada pela Forbes Brasil em parceria com a The School of Life e a Robert Half.


Esses dados não falam apenas de indivíduos fragilizados. Eles expõem um modelo de liderança que adoece sistemas inteiros.


Quando o problema não é o trabalho, é a liderança?


Há uma narrativa recorrente de que o problema está no modelo de trabalho: remoto, híbrido ou presencial. No entanto, uma análise publicada pela Fast Company Brasil é contundente ao afirmar que o grande entrave não é o home office, mas líderes despreparados para liderar sem controle. Chefias que confundem gestão com vigilância, presença física com comprometimento e autoridade com medo.


Esse tipo de liderança fragiliza relações, rompe a confiança e cria ambientes emocionalmente inseguros. E onde não há segurança psicológica, não há inovação, engajamento nem saúde.


A consequência é visível: pessoas operando no automático, tentando sustentar performance enquanto silenciam seus limites. Não por acaso, outro dado alarmante mostra que 84% dos brasileiros afirmam que questões financeiras afetam diretamente sua saúde mental, segundo pesquisa da Serasa publicada pela Veja Saúde. O medo, a pressão e a insegurança atravessam a vida profissional e encontram lideranças que, muitas vezes, também não sabem como lidar com suas próprias dores.


Liderança que adoece: controle, silêncio e negação


A liderança que adoece não nasce da má intenção. Ela nasce da falta de autoconhecimento. Líderes que não se observam, não reconhecem seus padrões emocionais, suas crenças limitantes e seus medos inconscientes acabam projetando tudo isso sobre suas equipes.


É nesse contexto que surgem culturas de:

  • Pressão constante por resultados sem cuidado com o processo

  • Metas descoladas da realidade humana

  • Silenciamento da vulnerabilidade

  • Medicalização do sofrimento em vez de transformação da causa


Como alerta a Forbes Brasil, o uso de medicamentos tem funcionado como uma “muleta emocional” para muitos líderes aliviando sintomas, mas sem tocar nas estruturas que adoecem: falhas de comunicação, ausência de reconhecimento, conflitos mal geridos e medo de errar.


Liderança que cura começa com o olhar para dentro


Em contraste, a liderança que cura começa em um lugar menos visível e muito mais profundo: o autoconhecimento.


Não existe cultura organizacional saudável sem líderes conscientes de si mesmos. A capacidade de escutar, decidir com ética, sustentar conflitos e gerar segurança está diretamente ligada à maturidade emocional de quem lidera.


Autoconhecimento não é introspecção romântica. É competência estratégica. É o que permite ao líder:

  • Reconhecer seus gatilhos emocionais antes de reagir

  • Alinhar discurso e prática

  • Criar ambientes psicologicamente seguros

  • Exercitar autoridade sem autoritarismo

  • Sustentar performance sem exaustão


No Instituto Vanda Lohn, afirmamos com clareza: não existe transformação organizacional sem transformação pessoal. Liderar pessoas exige, antes, liderar a si mesmo.


Felicidade corporativa não é benefício, é estrutura emocional


Outro equívoco comum é associar felicidade no trabalho a ações superficiais: benefícios, espaços de lazer ou campanhas pontuais. A realidade, confirmada pelos dados, é outra.


As principais causas de adoecimento emocional no trabalho são sobrecarga, pressão por resultados e conflitos interpessoais, conforme aponta a pesquisa publicada pela Forbes Brasil. Ou seja: felicidade corporativa não se resolve com “perks”, mas com estruturas emocionais saudáveis, relações maduras e lideranças preparadas.


Empresas que ignoram isso pagam um preço alto: afastamentos, perda de talentos, queda de engajamento e resultados insustentáveis no médio e longo prazo.


Da liderança reativa à liderança regenerativa


O futuro do trabalho exige uma mudança profunda de paradigma. Não basta evitar o adoecimento. É preciso regenerar pessoas, relações e culturas.

Isso implica formar líderes capazes de:

  • Olhar para dentro com coragem

  • Sustentar ambientes de confiança

  • Integrar resultados e bem-estar

  • Atuar de forma sistêmica, e não reativa


Essa é a base da liderança consciente, da liderança sistêmica e da felicidade corporativa sustentável.


Conclusão: a nova competência estratégica já começou


A pergunta que fica não é se as empresas podem investir em liderança consciente. A pergunta é quanto custa não investir.


A liderança que adoece está baseada em controle, medo e negação.A liderança que cura nasce do autoconhecimento, da verdade e da responsabilidade. E essa não é apenas uma escolha ética.É uma decisão estratégica para quem deseja construir organizações saudáveis, humanas e sustentáveis no tempo.


Liderar o outro começa por liderar a si mesmo.

 

 

Box Institucional | Programa A Felicidade de Quem Trabalha

 

O Programa A Felicidade de Quem Trabalha, do Instituto Vanda Lohn, é uma abordagem estruturada de cuidado humano, liderança consciente e cultura organizacional.

 

Sua base conceitual está estruturada na metodologia da Felicidade Interna Bruta (FIB), reconhecida internacionalmente e inspiradora da Resolução 65/309 da ONU, adaptada à realidade das organizações brasileiras por meio de uma metodologia própria do IVL.

 

O programa integra bem-estar emocional, autoconhecimento da liderança, segurança psicológica, propósito no trabalho e indicadores organizacionais, apoiando empresas na construção de ambientes saudáveis, conscientes e sustentáveis, onde pessoas e resultados evoluem juntos.


Fonte: Vanda Lohn

 

 

 
 
 

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