Janeiro Branco: liderança e saúde mental em tempos de crise silenciosa
- Vanda Lohn

- 14 de jan.
- 4 min de leitura
Iniciamos o ano com uma campanha essencial: o janeiro Branco, dedicado à conscientização sobre saúde mental e emocional. Mais do que um tema de campanha, a saúde mental se tornou uma urgência corporativa.
É neste contexto que precisamos falar, com coragem e responsabilidade, sobre o papel da liderança. Afinal, como podemos promover bem-estar nas equipes, se quem lidera está emocionalmente no limite? Como sustentar culturas saudáveis sem líderes que cultivem, em si mesmos, a capacidade de escuta, equilíbrio e verdade?
O janeiro Branco nos convida a olhar com mais profundidade para um dos fatores mais negligenciados e mais estratégicos do mundo corporativo: a saúde emocional de quem lidera.
Liderança que adoece - liderança que cura: por que o autoconhecimento é a nova competência estratégica
Nunca se falou tanto em saúde mental, bem-estar e ESG humano nas organizações. Ainda assim, nunca adoecemos tanto no trabalho. O paradoxo é evidente: enquanto discursos avançam, a experiência real de quem lidera e de quem é liderado revela exaustão, silenciamento emocional e culturas que operam no limite.
Os números não deixam margem para dúvida. No Brasil, 86% dos profissionais relatam sintomas de burnout, segundo levantamento publicado pelo Valor Econômico. Mais grave ainda: 52% dos líderes e 59% dos liderados recorrem a medicamentos psiquiátricos para lidar com estresse, ansiedade e esgotamento, de acordo com pesquisa divulgada pela Forbes Brasil em parceria com a The School of Life e a Robert Half.
Esses dados não falam apenas de indivíduos fragilizados. Eles expõem um modelo de liderança que adoece sistemas inteiros.
Quando o problema não é o trabalho, é a liderança?
Há uma narrativa recorrente de que o problema está no modelo de trabalho: remoto, híbrido ou presencial. No entanto, uma análise publicada pela Fast Company Brasil é contundente ao afirmar que o grande entrave não é o home office, mas líderes despreparados para liderar sem controle. Chefias que confundem gestão com vigilância, presença física com comprometimento e autoridade com medo.
Esse tipo de liderança fragiliza relações, rompe a confiança e cria ambientes emocionalmente inseguros. E onde não há segurança psicológica, não há inovação, engajamento nem saúde.
A consequência é visível: pessoas operando no automático, tentando sustentar performance enquanto silenciam seus limites. Não por acaso, outro dado alarmante mostra que 84% dos brasileiros afirmam que questões financeiras afetam diretamente sua saúde mental, segundo pesquisa da Serasa publicada pela Veja Saúde. O medo, a pressão e a insegurança atravessam a vida profissional e encontram lideranças que, muitas vezes, também não sabem como lidar com suas próprias dores.
Liderança que adoece: controle, silêncio e negação
A liderança que adoece não nasce da má intenção. Ela nasce da falta de autoconhecimento. Líderes que não se observam, não reconhecem seus padrões emocionais, suas crenças limitantes e seus medos inconscientes acabam projetando tudo isso sobre suas equipes.
É nesse contexto que surgem culturas de:
Pressão constante por resultados sem cuidado com o processo
Metas descoladas da realidade humana
Silenciamento da vulnerabilidade
Medicalização do sofrimento em vez de transformação da causa
Como alerta a Forbes Brasil, o uso de medicamentos tem funcionado como uma “muleta emocional” para muitos líderes aliviando sintomas, mas sem tocar nas estruturas que adoecem: falhas de comunicação, ausência de reconhecimento, conflitos mal geridos e medo de errar.
Liderança que cura começa com o olhar para dentro
Em contraste, a liderança que cura começa em um lugar menos visível e muito mais profundo: o autoconhecimento.
Não existe cultura organizacional saudável sem líderes conscientes de si mesmos. A capacidade de escutar, decidir com ética, sustentar conflitos e gerar segurança está diretamente ligada à maturidade emocional de quem lidera.
Autoconhecimento não é introspecção romântica. É competência estratégica. É o que permite ao líder:
Reconhecer seus gatilhos emocionais antes de reagir
Alinhar discurso e prática
Criar ambientes psicologicamente seguros
Exercitar autoridade sem autoritarismo
Sustentar performance sem exaustão
No Instituto Vanda Lohn, afirmamos com clareza: não existe transformação organizacional sem transformação pessoal. Liderar pessoas exige, antes, liderar a si mesmo.
Felicidade corporativa não é benefício, é estrutura emocional
Outro equívoco comum é associar felicidade no trabalho a ações superficiais: benefícios, espaços de lazer ou campanhas pontuais. A realidade, confirmada pelos dados, é outra.
As principais causas de adoecimento emocional no trabalho são sobrecarga, pressão por resultados e conflitos interpessoais, conforme aponta a pesquisa publicada pela Forbes Brasil. Ou seja: felicidade corporativa não se resolve com “perks”, mas com estruturas emocionais saudáveis, relações maduras e lideranças preparadas.
Empresas que ignoram isso pagam um preço alto: afastamentos, perda de talentos, queda de engajamento e resultados insustentáveis no médio e longo prazo.
Da liderança reativa à liderança regenerativa
O futuro do trabalho exige uma mudança profunda de paradigma. Não basta evitar o adoecimento. É preciso regenerar pessoas, relações e culturas.
Isso implica formar líderes capazes de:
Olhar para dentro com coragem
Sustentar ambientes de confiança
Integrar resultados e bem-estar
Atuar de forma sistêmica, e não reativa
Essa é a base da liderança consciente, da liderança sistêmica e da felicidade corporativa sustentável.
Conclusão: a nova competência estratégica já começou
A pergunta que fica não é se as empresas podem investir em liderança consciente. A pergunta é quanto custa não investir.
A liderança que adoece está baseada em controle, medo e negação.A liderança que cura nasce do autoconhecimento, da verdade e da responsabilidade. E essa não é apenas uma escolha ética.É uma decisão estratégica para quem deseja construir organizações saudáveis, humanas e sustentáveis no tempo.
Liderar o outro começa por liderar a si mesmo.

Box Institucional | Programa A Felicidade de Quem Trabalha
O Programa A Felicidade de Quem Trabalha, do Instituto Vanda Lohn, é uma abordagem estruturada de cuidado humano, liderança consciente e cultura organizacional.
Sua base conceitual está estruturada na metodologia da Felicidade Interna Bruta (FIB), reconhecida internacionalmente e inspiradora da Resolução 65/309 da ONU, adaptada à realidade das organizações brasileiras por meio de uma metodologia própria do IVL.
O programa integra bem-estar emocional, autoconhecimento da liderança, segurança psicológica, propósito no trabalho e indicadores organizacionais, apoiando empresas na construção de ambientes saudáveis, conscientes e sustentáveis, onde pessoas e resultados evoluem juntos.
Fonte: Vanda Lohn




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